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domingo, 11 de outubro de 2015

A BEM-AVENTURADA MANSIDÃO

Igreja Vitória

"Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra" (Mateus 5.5).

Podemos para­frasear esta bem-aventurança dizendo: “aqueles que têm um espírito gentil”. Mas que espécie de gentileza é esta, para que seus possuidores sejam declarados bem-aventurados?
Creio que o Dr. Martin Lloyd-Jones está certo ao enfatizar que essa mansidão denota uma atitude humilde e gentil para com os outros, deter­minada por uma estimativa correta de si mesmo. Ele destaca que é comparativamente fácil ser honesto consigo mesmo diante de Deus e se reconhecer pecador diante dele. E prossegue: “Mas como é muito mais difícil permitir que as outras pessoas digam uma coisa dessas de mim! Instintivamente eu me ofendo. Todos nós preferimos nos condenar a nós mesmos do que permitir que outra pessoa nos condene”.
Por exemplo, vamos aplicar este princípio à prática eclesiás­tica cotidiana. Sinto-me muito feliz ao recitar a confissão de pecados na igreja, chamando-me de “miserável pecador”. Não há problema algum. Nem me incomodo. Mas se alguém vier a mim, depois do culto, e me chamar de miserável pecador, vou querer dar-lhe um soco no nariz! Em outras palavras, não estou preparado para permitir que outras pessoas pensem ou falem de mim aquilo que acabei de reconhecer diante de Deus. É uma grande hipocrisia, e sempre será, quando a mansidão estiver ausente. O Dr. Lloyd-Jones resume isso admiravelmente: “A mansidão é, em essência, a verdadeira visão que temos de nós mesmos, e que se expressa na atitude e na conduta para com os outros... O homem verdadeiramente manso é aquele que fica realmente pasmo ante o fato de Deus e os homens poderem pensar dele tão bem quanto pensam, e de que o tratem tão bem”. Isto o torna gentil, humilde, sensível, paciente em todos os seus relaciona­mentos com os outros.
Essas pessoas “mansas”, Jesus acrescentou, “herdarão a terra”. Era de se esperar o contrário. Achamos que as pessoas “mansas” nada conseguem porque são ignoradas por todos, ou, então, tratadas com descortesia ou desprezo. São os valen­tões, os arrogantes, que vencem na luta pela existência; os covar­des são derrotados. Até mesmo os filhos de Israel tiveram de lutar por sua herança, embora o Senhor seu Deus lhes desse a terra prometida. Mas a condição pela qual tomamos posse de nossa herança espiritual em Cristo não é a força, mas a mansidão, pois, conforme já vimos, tudo é nosso se somos de Cristo.
Era esta a confiança dos homens de Deus, santos e humildes, no Velho Testamento, quando os perversos pareciam triunfar. Isto jamais foi expresso com mais exatidão do que no Salmo 37, o qual parece que Jesus citou nas bem-aventuranças: “Não te indignes por causa dos malfeitores... os mansos herdarão a terra... Aqueles a quem o Senhor abençoa possuirão a terra... Espera no Senhor, segue o seu caminho, e ele te exaltará para possuíres a terra; presenciarás isso quando os ímpios forem exter­minados”. O mesmo princípio continua operando hoje em dia. Os ímpios podem vangloriar-se e exibir-se, mas a verdadeira possessão foge ao seu controle. Os mansos, por outro lado, em­bora sejam despojados e privados dos seus direitos pelos homens, sabem o que é viver e reinar com Cristo, e podem desfrutar e até mesmo “possuir” a terra, a qual pertence a Cristo. Então, no dia da “regeneração”, haverá “um novo céu e uma nova terra” para herdar. Portanto, o caminho de Cristo é diferente do caminho do mundo, e cada cristão, mesmo sendo como Paulo e “nada tendo”, pode dizer-se “possuindo tudo”. Conforme Rudolf Stier: “A autorrenúncia é o caminho para o domínio do mundo”.
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Texto de John Stott em seu livro "Contracultura cristã". Editora ABU.

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