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sábado, 30 de maio de 2015

PERDÃO: QUEM GANHA MAIS?


Fizeram-me uma pergunta sobre o perdão. Com a pergunta, já estava a conclusão, mas ela foi colocada: Quem ganha mais com o perdão? O perdoado ou o perdoador? Assistido na conversa por outra pessoa, a mesma argumentou: "Quem perdoa é claro!" E parece que era claro também para quem fazia a pergunta. Essa seria a suprema justificativa para se perdoar: sair ganhando!
Demorei um pouco para responder, enquanto se consolidava o ganho que se tem com o perdão. Minha mente, contudo, encarava essa questão de forma um tanto “capitalista”. Era estranho esse pensamento para uma abordagem bíblica sobre perdão. A resposta foi pronta: “Nem se ganha e nem se perde. Não existe caráter comercial no perdão”.
Dada a questão, vamos para o argumento principal: o perdão é um ato de obediência e, como tal, não é regido por perda e ganho. Se quisermos considerar a questão como ganho, o único e real ganho é a obediência.
Ora, o princípio bíblico do perdão encontra-se vinculado, através do ensino de Jesus pelo Pai Nosso, ao perdão de Deus. O Senhor ao perdoar não ganha nada, pois não tem nada a ganhar (como acréscimo, pois tudo possui). O ato de perdão divino é ato de doação, graça!
Quanto a etimologia da palavra perdão, ela nos revela muito de sua essência. A palavra “perdão/perdoar” vem do latim per +donum, um dom levado à perfeição ou per (total, completo) + donare (dar, entregar, doar). A partícula latina per é aplicada para mostrar que uma realidade é levada a seu grau maior. Vejam o próprio termo perfeição. “Feição” na sua raiz significa algo feito, vindo do verbo fazer. Se aquilo que fazemos chega a um nível muito elevado, exprimimo-lo com o afixo per e temos, portanto, a per+feição.
Jesus ao propor a parábola do credor incompassivo, como escrito no Evangelho de Mateus 18.23-35, coloca o perdão como uma atitude no Reino de Deus que se assemelha a:
1. Um ajuste de contas do rei: a decisão é do rei e não do súdito - o perdão é uma decisão que remete a autoridade.
2. Uma condição de não dependência - aquele que perdoa a dívida demonstra que sua liberalidade está vinculada a não necessidade do que lhe é devido.
3. É um ato de compaixão e não uma “esmola” que se dar ao outro - é graça dada a quem não merece, mas que também é nosso próximo e alvo de amor.
Um ponto importante a se enfatizar, é que o perdoador pode renunciar ao que lhe é de direito porque se encontra em estado de “plenitude”: não lhe faz falta e mesmo que lhe faça é possível viver sem. Existe desprendimento!
É importante nota que em nenhum momento se reforça o “ganho” como estimulador do perdão. Ele aparece como um chamado de prestação de contas que leva a perdas devido a compaixão que se vive em relação ao outro.
Quem ganha com o perdão? Se temos que “monetarizar”, ganha o perdoado. Isso é o Reino de Deus! O perdoador obedece ao Senhor do Reino. Não existe ganho na obediência. Realizado o que se pediu, basta a alegria de servir a Deus em sua vontade. Essa deve ser a motivação primeira do perdão, a única capaz de bloquear a intencionalidade maligna do eu (egoísmo, uso do perdão como arma, represália) e treinamento do coração para o desapego, renúncia e amor ao próximo.
Em resumo:
1. Perdão é expressão do Reino de Deus: quem ganha perde, e quem perde ganha.
2. Perdão é um ato de autoridade: autoridade espiritual que revela maturidade e suficiência no Senhor de forma a não ter falta do que é perdido no ato do perdão.
3. Perdão é desprendimento e golpe mortal ao egoísmo.
4. Perdão é obediência a Lei do Senhor: esse é o ganho, a motivação e a alegria.
5. Perdão é a prestação de contas que fazemos não para castigar, mas para manter nossas contas em dias.
6. Perdão é o espaço onde a compaixão é a mediadora e não a ganância, o ódio e o rancor.

Assim como Deus nos perdoou, devemos perdoar!

Rev. Lucas Guimarães

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